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Embarque imediato, imediatamente! Confusão de cigarros, papéis, uma caneta bic, chicletes com banana e uma dose na vontade. Imediatamente? Black Alien até os tímpanos e a presença de uma centena de almas perdidas pairando sob nossos medos (de) passageiros.Embarque Imediato …Sem fumaça de gelo seco, nem luzes “sabe-se-lá-o-que-tróbicas”…Simplesmente: embarque imediato pelo portão 7 …Sem emoção, nem despedidas desta vez, pq que já me basta a catarata, a labirintite, incontinência urinária e um pulmão debilitado…Embarque imediato, imediatamente e ponto final.
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Fim de um domingo besta,ultimo cigarro arranhando a garganta e 10 dedos aflitos musicando 120 tectecs por minuto..bytes en pantalla. Domingo mais besta, convertido em grãos de ampulheta. Perdido e sem volta. … É só o começo da semana embora tudo cheire mal e a final, logo será domingo outra vez, tão repetitivos, como a macarronada e o lombo assado, Pedro Bial na tv, futebol às 5 e o bicampeonato de novo, velhos buzinaços comemorativos, malandragem encachaçada alertando do absurdo de uma madrugada de segunda, relutante amanhecer… e a ilusão do domingo sobrevivendo da escuridão e do silencio que a acaba as 5 da manhã, a cidade preenchida,colorida e olorizada por um milhão de buzinas,motores acelerados, salto alto na calçada, dolce gabanna, espetinho de gato…e é só o começo. Não reconhecer meu rosto no espelho essa manhã, pode ser a tal sindrome de segunda feira, a mesma q acometia o Garfield, ou resíduos de veneno mundano…Tão sem sentido como simplesmente reconhecê-lo ou abrir os olhos nessa ou qualquer outra segunda feira de agosto diretamente de sete palmos de edredon.
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Manhã nojenta. Aquele cachorro branco com manchinhas pretas que me perseguia pelas ruas e me acompanhava até a padaria todos os dias se aventurou novamente – com a patinha manca, marcas de outra aventura não tão remota- a perseguir as rodas dos carros da avenida. Mesmo com o marasmo da hora, era algo meio suicida, mas cachorros não se suicidam – filosofava eu. Verde e sonolento devaneio interrompido pelo último ganido do cão. Pescoço quebrado pelo parachoque …O motorista pareceu nem perceber o ocorrido, seguiu seu caminho, time is money, mundo cão…sobrou um monte de pelos ainda quente no asfalto manchado de sangue e minha mirada tremida numa última homenagem inútil. Não sou desse mundo, não me pareço a vc…Da outra vez ele tinha escapado da morte. Sexta feira 13 …e ainda falta muito pro dia acabar e a escuridão invadir meu quarto…
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Tia Danielle é boa inquilina. Usa saia de lã q ela mesma teceu em noites frias de Curitiba, tomando chá inglês com biscoitos amanteigados na companhia de três gatos, um deles cego de um olho, conseqüência de uma peleja hormonal, coisa do passado, agora q os dias são doces sonhos regados a leite integral. Tia Danielle tem longos cabelos brancos de chantilly, nunca se casou, nem pode adoçar a vida de netos de joelhos roliços e andar vacilante…, não lhe fazem falta, ela é feliz assim, lendo Drumond e viajando no túnel do tempo…acesso irrestrito q ela mesma descobriu, tantas horas vagando sem rumo pela labirintite lhe deram essa capacidade invejável. Tia Danielle é suave e perfeita em sua matéria, delicada como o vou-la van de creme pasteleiro q faz, inundando esse gueto sujo à beira do caos com o autêntico cheiro a baunilha francesa…. Não gosta de geléia de pimenta, nem nunca provou a cachaça, prefere compotas de mamão verde e manhãs frias e ensolaradas de 1800 pés de altitude. Ouve gargalhadas e garrafas quebradas da vizinhança com um velho sorriso nos lábios de rosa carmim e adormece tranqüila quando tudo é confuso….Uma vez em tantos dias, prepara um banquete, importa trufas negras pela internet, ratatouille, magret ao molho de figo, terroir para beber e morangos silvestres em um primor de jalousie…ela mesma e seus três gatos, um deles com o olho esquerdo furado, todos com fita vermelha no pescoço felpudo…Tia Danielle tem seus pecados ocultos, miradas negras, absolutas, ri alto em noites assim, impera em seu vestido inesquecível de babados e rococós infindáveis…, piano de cravo, cravo de cheiro, o cravo e rosa desidratados, flagrados em páginas amarelas de um diário, capa de couro tratado …
Tia Danielle não tem pressa nem apuro…
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Não questione minha superficialidade!…não há nada debaixo dessa máscara de papel machê… Não me olhe assim, sou apenas um universo ambulante, indolente, entregue à doce e ensolarada matrix … não espere coerência, nem profundezas abissais, não vc, q com um movimento da lamina pode violar minha integridade revelando a tragédia e o patético da vida… Não verás lampejos de inteligência, nem terás olhares cúmplices, sou unhas roídas, hemoglobinas flutuantes em fluxos Opositivo e uma mente perdida em nuvens de algodão doce …pura glicose.
Eu não quero nem saber se vão gostar e o q vão dizer, eu quero gritar teu nome no meio das ruas de Ouro Preto, de pura alegria ingênua, febril…não sou nada mais q um amontoado de peptídeos viciados em prazer! Mas não espere altruísmo, não serei compreensiva, nem pedirei perdão…meus inquilinos só querem diversão e fazem da minha cabeça um grande salão sem lei. Os anos passam meu bem, e continuo a brincar de ser Deus, vislumbrando o nada absoluto na ponta dos pés, a beira do abismo, …pq é excitante sentir o vento cortante no rosto, pensar q…um passo em falso, a um passo a frente, cuidado!…nada mais pode me trazer de volta…nem usurpar a paz conquistada, o absolutismo envolvente do nada…nem as lembranças, nem o passado, é só o presente, o fluxo sanguineo e batimentos cardíacos, tunshi, tunshi, na batida do trance…no meio da pista, luzes e escuridão, e o relógio e as horas…, quem se importa com eles?..Não me olhe assim, já não me interesa saber quem sou, apenas não me olhe assim nem questione minha superficialidade….não podes ver a realidade? índigo blue jeans, carne e ossos de isopor….
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Dois dias de cama e me sinto uma banana podre. A inércia q me consome, o tédio q me paralisa…Carái! não tenho cigarros, não posso fumar, tenho tosse de cachorro…tô sem cachorro!, não tem net, faz frio, não posso sair, não posso beber, pelo menos música tenho, acho q em algum lugar tem chocolate tbém…Não tem nada pra fazer, chá de camomila com mel, ler e dormir…uuuaaaaaaaaaaaahhh, tédio da gota serena! De partida amanhã ….é BC q no outono guarda um clima noir tropical, as ruas de pedra, o mato crescendo insistente, canions de edifícios semi ocupados e os poucos sobreviventes do verão misturados com aposentados na fila da padaria…é BC no outono q me deixa doente!
Hj lembrei das lagartixas do reino sapichurú! …sempre furtivas, um corpinho grudadinho na parede, translúcido, …zrup! Já era! ha!adoro!
Maio! Maio! Maio!
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Depois de tudo é bom sentir cada um dos 60 segundos q compõem um minuto…tictac…o tempo escorrendo pela janela em uma chuva de abril, lenta e densa…tictac…rotaçao mínima depois de dias de alta velocidade, desperdiçados em nuvens de fumaça, discussões sem sentido, hipóteses amorosas, ginecológicas, logística do Correio Central, Praia do Rosa…Curitiba, curitibanos, mineiros, bica´s e baladas, vodka natasha, todos os venenos e pseudo filosofias…depois de tudo é bom voltar a tecer o casulo… tictac… Como sobrevivente de guerra…“constipação”, pílula antigripal, em recuperação, sucumbindo sem resistência ao meu egoísta mundinho particular recheado de problemáticas fáceis, dormir em paz, a velha paz! sem pensar em nada nem ninguém, mente em branco e uma caneta na mão…tictac…Alguém me chama da rua, abro a janela,…são vampiros de havaianas em busca da ultima ponta da estrela, a última dose enquanto aguardamos o estertor dessa mesmissíma quarta feira de abril…tictac…Hj não, tô estragada…e é bom estar sozinha, reencontrar dois abismos negros no espelho do banheiro, q insiste em distorcer minha imagem-realidade…hj sou apenas dois abismos e olheiras delatoras!, e sou resquícios, seqüelas e conseqüência de quê afinal?…tictac…lento e doce veneninho bom…
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tá, tudo bem então…já aprendi a conjugar o presente, o pretérito e futuro…a desarmar amores, usar sapatos, relógio de pulso, bolsa de couro, cartão de crédito e falar por celular enquanto caminho apressada resolvendo coisas super importantes…tá tudo bem truta…, tem isso da lei das probalidades,…e de q nada é tão trágico q não possa haver comédia…, e a certeza d q vai amanhecer em alguns minutos, como todos os dias, e a boa e velha rotina vai me consumir e absorver sepultando suavemente meus velhos sonhos…mas tá tudo bem mesmo, porq sei q hoje vou mostrar os dentes e serei feliz pelo menos 3 vezes antes da meia noite, e quando o sol se recolha, piedoso enfim!, eu e os meus chegados vamos sair a celebrar mais um dia vivido, com cervejas geladas, estúpidas, e a frenética disponibilidade de falar muito sobre o nada…tá tudo bem, mas é q as vezes nada parece ter sentido, e as palavras se calam na ponta da língua, o sexo é inesperadamente só sexo e a cachaça apenas parece ter sido capaz de produz mais torpor e dor de cabeça….e vem o sol, rasgando o céu com raios ultravioleta, ultraperigosos, desrespeitoso e egocêntrico, manchando a pele, matando a nostalgia da aurora e fazendo a cidade se mover, rápido, rápido…é tudo tão rápido… mas tá tudo bem, já vem o sol queimando tudo q não seja concreto e argamassa.
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34º…, motor ligado, implacável e tosco taxímetro, mãos no volante e pé na embreagem, o pescoço torcido num ângulo divertido não fosse uma despedida,… na moldura janela, a ultima edição do teu rosto. Olhe para mim e não veja nada, e eu, um gato cinza q acaba de passar do outro lado da rua…atrás da tua nuca….dentro da janela moldura q fotografei com poderes instalados pela técnica “jack-in”…
um segundo em camera lenta milimetrada e me liberto do cinto, sinto tanto, mente leve – acelerada, outro segundo e vou colapsar…! me liberto de encaixes e aciono manivelas, já estou no meio da rua e o vento quente me atinge o rosto invadindo meu pulmão reacionário, q mecanicamente anuncia uma tosse seca para amanhã ..Então é isso, só me resta meter as mãos no bolso, admirar o clima sépia e não correr fugida de uma bola de folhas secas q parece me perseguir… Descendo escadas na ponta dos pés, caminhando apressada, quase voando, ofegante. Não vou olhar pra trás e a cidade q me trague de um gole só…como se eu fosse uma colher de óleo de fígado de bacalhau…super gêmeos ativar!