Arquivado em: Memorial Particular
Manhã nojenta. Aquele cachorro branco com manchinhas pretas que me perseguia pelas ruas e me acompanhava até a padaria todos os dias se aventurou novamente – com a patinha manca, marcas de outra aventura não tão remota- a perseguir as rodas dos carros da avenida. Mesmo com o marasmo da hora, era algo meio suicida, mas cachorros não se suicidam – filosofava eu. Verde e sonolento devaneio interrompido pelo último ganido do cão. Pescoço quebrado pelo parachoque …O motorista pareceu nem perceber o ocorrido, seguiu seu caminho, time is money, mundo cão…sobrou um monte de pelos ainda quente no asfalto manchado de sangue e minha mirada tremida numa última homenagem inútil. Não sou desse mundo, não me pareço a vc…Da outra vez ele tinha escapado da morte. Sexta feira 13 …e ainda falta muito pro dia acabar e a escuridão invadir meu quarto…
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